BUSINESS INSIDER (22.12.2023) – Você nunca seria capaz de notar que Glen Powell não dorme há dias. 

 

O ator de 35 anos estava recentemente barbeado e vestindo uma camiseta larga e um boné preto da Universidade do Texas quando ele apareceu na minha tela do Zoom com um sorriso largo, parecendo não se preocupar com nada no mundo. 

 

No entanto, durante a última semana, ele tem ido e voltado entre Oklahoma City – onde ele está fazendo filmagens noturnas de “Twisters”, a sequência do blockbuster clássico de 1996 – e Nova York, onde ele está fazendo entrevistas promocionais para seu último filme, a comédia romântica “Anyone But You”.

 

Sua agenda cheia significa que ele está trabalhando no set de 5 da tarde às 5 da manhã, tomando um rápido banho no hotel antes de pular num avião às 7 da manhã para NYC.

 

“Duas noites atrás, eu terminei “Twisters” às 3 da manhã, voltei ao meu hotel, me pegaram às 5 da manhã para o aeroporto, cheguei em Nova York ao meio dia e tinha que estar no Fallon às 4,” Powell disse à Business Insider. 

 

Essa é a vida de uma estrela de cinema, Powell aprendeu rápido. 

 

Embora o nativo do Texas tenha constantemente trabalhado como um ator nas últimas duas décadas, foi seu papel como o piloto Jake “Hangman” Seresin, no filme “Top Gun: Maverick” que o elevou ao patamar de estrela de cinema. Papéis maiores se seguiram (“Twisters” tem lançamento marcado para o verão de 2024), assim como um crédito de roteirista com o cineasta lendário Richard Linklater em seu último filme, “Hit Man” (que lança na Netflix ano que vem). 

 

Mas muito barulho vem com esse nível de fama, especialmente se você tem química com sua co-estrela.

 

Em “Anyone But You”, Powell e a atriz de “Euphoria” Sydney Sweeney, interpretam Ben e Bea, duas pessoas que não se suportam mas são forçadas a saírem juntas quando os dois são convidados para um casamento na Austrália. Sua hostilidade frustra seus amigos e ameaça arruinar o evento, então Ben e Bea decidem fingir serem um casal para manter a paz.

 

Você provavelmente conhece o filme por outra razão.

 

Por meses, os tablóides e usuários das redes sociais têm especulado que a química de Powell e Sweeney é boa demais para ser falsa. As conversas ficaram muito altas em abril quando os atores apresentaram o filme na CinemaCon, em Las Vegas, e pareciam flertar tanto que a internet estava convencida de que os dois eram um casal.

 

Logo depois, saiu a notícia de que Powell havia terminado com sua namorada, a modelo Gigi Paris, o que apenas alimentou a teoria. Sweeney, no entanto, continua em um relacionamento longo com seu noivo Jonathan Davino.

 

Um Powell bem cafeinado esclareceu as coisas sobre seu relacionamento com sua co-estrela. Ele também discutiu o filme de ação que está desenvolvendo com sua co-estrela de “Top Gun”, Jay Ellis, e o conselho que Matthew McConaughey lhe deu sobre como navegar seu novo estrelato.

 

Eu estava na CinemaCon quando todos os rumores entre você e Sydney começaram, e se estou correto vocês tinham acabado de encerrar as gravações de “Anyone But You” e estavam voando da Austrália para Vegas –

 

Sim.

 

Em que ponto no voo você e Sydney decidiram ser Ben e Bea na press tour? Porque, desde que assisti ao filme, eu sinto que vocês decidiram, assim como no filme, agir como se fossem um casal. 

 

Eu vou dar todo o crédito a Sydney por isso. Eu não tenho a capacidade mental para fazer algo assim, mas ela é muito esperta. Ela é muito inteligente. E olha, Sydney e eu temos uma química autêntica – 

 

Ah, sim!

 

Eu me diverti muito nessa jornada com ela. Mas em termos de namorar e realmente estar juntos? [Ri]

 

Toda aquela química na tela e no palco em Vegas levou a muita dor de cabeça para vocês, eu imagino.

 

Bem, olhe, a única razão disso ter sido um pouco mais difícil para mim realmente me entregar a isso, porque eu estava passando por um término de relacionamento muito real durante uma turnê promocional. Eu estava com alguém que realmente amava e me importava e estava tentando entender tudo que aconteceu.

 

Foi mais fácil para a Sydney se entregar a isso porque ela estava em um relacionamento ótimo e muito comprometido e ela está muito feliz. Então, foi um pouco mais difícil para mim.

 

Mas o filme tem um elenco ótimo e a química que vocês têm está no nível das grandes duplas de comédias românticas: William Powell e Myrna Loy, Tom Hanks e Meg Ryan, Matthew McConaughey e Kate Hudson. 

 

Você e Sydney falaram sobre segurar a tocha das rom-com e fazendo mais filmes juntos?

 

Bem, obrigado por isso. Sydney e eu falamos sobre isso. Eu acho que Sydney é uma das poucas pessoas com quem trabalhei que é tão incrível na frente da câmera quanto por trás dela. Ela foi uma produtora executiva incrível nesse filme.

 

Ela tem um sendo muito impressionante de marketing, história, o que é novo e legal. Ela é uma pessoa impressionante e o que ela faz nas telas é elétrico. Eu trabalharia com ela de novo sem pensar duas vezes.

 

Você fez alguma mudança de personagem no Ben?

 

Uma das coisas que falei para Will Gluck no começo foi que eu acreditava que estávamos mostrando a jornada desse filme pelos olhos de Bea, a personagem de Sydney, e o trabalho de um homem em uma rom-com não é parecer descolado. Se o personagem sai do filme parecendo descolado você falhou com o público. 

 

Ele precisa levar vários socos, ter suas roupas rasgadas, e passar o máximo de vergonha possível. Então eu disse para jogar o máximo possível para cima de mim porque essa era minha função.

 

Pensando bem agora, eu talvez tenha levado isso a sério demais [Ri.]

 

Não. Funcionou. 

 

Eu aprecio isso.

 

Eu conversei com Jay Ellis quando “Top Gun: Maverick” lançou e ele mencionou que vocês dois desenvolveram um roteiro e até falaram dele com Tom Cruise. Quais são as últimas notícias sobre isso?

 

Ainda está vivo e bem. 

 

Você pode dar o pitch de elevador? 

 

Minha mãe e meu pai se conheceram em Washington D.C.  e ela tinha um componente do trabalho do Serviço Secreto. Então, quando eu era criança ficava cercado de muitas pessoas do Serviço Secreto. Eu sempre fui fascinado por esse mundo. E desde então, senti que desde “In The Line of Fire” não teve um filme realmente bom do Serviço Secreto. 

 

Um dos meus filmes favoritos foi “First Kid” de Sinbad, então eu pensei, como podemos fazer uma coisa meio “Lethal Weapon” com o Serviço Secreto com salvar uma criança? Então eu quero que seja “Lethal Weapon” encontra “Man on Fire”.

 

Ah, uau! 

 

Sim. Jay e eu tivemos uma experiência colaborativa incrível em “Top Gun”, então nós começamos a desenvolver isso. 

 

Durante a press tour daquele filme vocês começaram a escrever?

 

Sim. O filme demorou tanto a lançar. Nós gravamos “Top Gun” no outono de 2018 e no verão de 2019. Eu lembro, que no set, nós tivemos a ideia. Jerry Bruckheimer e Joe Kosinski vieram para nós separadamente e nos disseram, “Vocês dois têm uma química natural,” e foi assim que começou. Ainda estamos trabalhando nisso. 

 

E o que aprendemos do Tom foi qual história precisa de um filme de ação com grande orçamento. Eu, na verdade, falei com Tom dois dias atrás, ele tem sido um grande amigo e mentor. O que aconteceu é que tem um certo tipo de filme sendo feito para os cinemas e um outro para os streamings. Eles são duas coisas muito diferentes e dois preços muito diferentes. Jay e eu desenvolvemos isso como um filme para o cinema. O que temos que ter é algo que demanda que a audiência saia de suas casas. 

 

Falando sobre o Cruise, outra coisa que demandaria que as pessoas saíssem de casa seria um filme do Hangman. Isso é possível? 

 

Fazer outro filme do “Top Gun”?

 

Eu quero dizer um spin-off focado no Hangman. 

 

Ah! Isso é muito gentil. Eu diria que qualquer coisa no universo de “Top Gun” precisa passar pelo Tom Cruise e Jerry Bruckheimer. Eu nunca sonharia em colocar o uniforme de voo de novo a não ser que eu tivesse a bênção daqueles dois. 

 

Você tem trabalhado e construído sua carreira por muito tempo, mas nos últimos anos, a temperatura realmente aumentou. Você sempre quis ser uma estrela do cinema? Alguns atores querem apenas fazer o trabalho, outros querem o estrelato que você está atingindo agora. Você sempre quis isso? 

 

Não. Eu achava que apenas ser um ator trabalhando, poder pagar as contas com esse trabalho seria suficiente. Pra onde tem ido, é uma conversa que eu tenho com meus pais o tempo todo. 

 

Eu diria que as pessoas que cresci assistindo formam um grupo de trabalho muito diverso: o jovem Tom Cruise, Denzel Washington, Dustin Hoffman, Kurt Russell.

 

Matthew McConaughey, que é texano como você. 

 

McConaughey. E ele é um ótimo exemplo. Honestamente, ele se tornou um verdadeiro mentor para mim. Em termos de como se inclinar para certas coisas. 

 

Todo mundo vai ter uma perspectiva na sua carreira a qualquer momento e quando você tem seu nome em um poster. Isso é muito novo para mim, então eu e você estamos no sofá da terapia agora. 

 

Vamos fazer isso. 

 

As vitórias e as derrotas são muito mais públicas. Mesmo assim, você também tem que se distanciar desses resultados e abaixar sua cabeça e fazer os filmes que você ama e nos quais acredita. É isso. 

 

McConaughey me disse, “Foi por isso que eu me mudei para Austin o mais rápido possível,” porque, basicamente ele foi para Hollywood, se ingressou na Matriz e foi Matthew McConaughey e jogou o jogo, e então foi para Austin ser um pai e um marido. 

 

É fascinante ouvir isso de você porque você não apenas recebeu orientação de McConaughey, alguém que saiu do caminho das rom-coms para papéis mais desafiantes e eventualmente um Oscar, você também trabalhou para Lynda Obst, uma renomada produtora de rom-coms. Então, você é um grande estudante do gênero. 

 

A educação que Lynda me deu foi de muito valor porque eu li tantos roteiros de rom-coms que eram enviados para o escritório dela. Eu realmente ganhei uma educação de um dos mestres. Eu aprendi o que as pessoas esperam do gênero enquanto também entregar algo novo a eles. 

 

Pelo que você disse aqui parece que você está seguindo o livro de jogadas do McConaughey: jogue o jogo, se insira na Matriz, até você fazer algo tão grande que não precise mais. 

 

Você sabe, tem uma gamificação e é sobre isso que McConaughey estava falando. Você precisa jogar o jogo. 

 

Eu sou a mesma pessoa com todo mundo no set que sou em casa, mas o que percebi é que o que as pessoas estão consumindo, eles pegam certos elementos – o título de uma notícia, uma fala, uma foto – e eles te definem. Isso se torna a percepção pública. Eu não tenho controle sobre isso. Então não me preocupo com isso. Eu apenas continuo sendo eu e enquanto eu puder continuar a fazer filmes com as pessoas que quero fazer filmes, estou feliz. 

 

O que eu aprendi de McConaughey é que tem uma parte do jogo que você precisa aproveitar, mesmo que tantas coisas estejam fora do seu controle.