Autor: bella 23.12.23

Como Glen Powell encantou Hollywood

VOGUE MAGAZINE (22.02.2023) — Glen Powell talvez seja o homem mais ocupado de Hollywood no momento. Ele não apenas estrela este mês a espetacular comédia romântica shakespeariana “Anyone But You” ao lado de Sydney Sweeney, mas seu 2024 já está repleto de projetos como a comédia de ação “Hit Man”, que ele co-escreveu e produziu em colaboração com Richard Linklater , bem como “Twisters”, uma continuação do épico filme de catástrofe liderado por Helen Hunt de 1996. Quando ele não está estrelando blockbusters como “Top Gun: Maverick”, no entanto, ele fica surpreendentemente  — dividindo seu tempo entre Nova Iorque (onde ele acabou de instalar seu Wi-Fi minutos antes de nossa entrevista), Los Angeles e o rancho de sua família em Austin, Texas. “Todas as vezes que eu venho para Nova Iorque, ela meio que me preenche, e eu não sinto mais o mesmo por Los Angeles,” diz o ator de 35 anos, vestindo uma camiseta branca e boné de baseball preto, pelo Zoom direto de seu apartamento em Manhattan.

 

Mas Powell talvez se sinta mais em casa meditando sobre seu trabalho , fazendo imitações de “Legalmente Loira” (“Não bata seus sapatos Prada da última temporada em mim, querido!” é uma leitura de fala — e chocantemente precisa — favorita), ou discutindo sobre o enredo de futuras comédias românticas. À medida que obteve mais sucesso, Powell tentou não se perder no processo, algo que ele credita a sua família de “bobos”. “Eu passei a maioria do meu tempo em Austin, Texas, com a minha família,” ele diz, dando um sorriso de um milhão de dólares. “É onde me sinto mais como eu.”

 

Embora Powell esteja atuando em Hollywood desde que ele tinha 1o anos, foi apenas em 2015 que ele conseguiu um papel de destaque como o frat boy Chad Radwell na série de terror camp de Ryan Murphy, “Scream Queens”. Logo, ele estava estrelando na sequência não oficial de “Juventude Inconsciente”, “Everybody Wants Some!!” (2016), de Richard Linklater, cunhando seu status como um dos galãs mais charmosos de Hollywood Mas Powell, embora ciente da atenção, tenta evitar alimentá-la. Ele prefere muito mais estar criando.

 

Em uma entrevista com a Vogue, o ator falou sobre sua história com as comédias românticas, trabalhar com Richard Linklater e sobre o musical que ele está desenvolvendo com Murphy.

Vogue: Houve algum protagonista arquetípico de comédia romântica que embasou como você interpretou Ben em Anyone But You?

 

Glen Powell:  Não houve ninguém em específico que serviu de modelo, mas eu acho que, ao crescer, um benefício que eu tive na vida em geral [é] ser o filho do meio entre duas meninas, e estar em uma família com muitas primas. Eu não posso culpá-las por minha afinidade com comédias românticas — é separado de todas elas. Esta é uma caixa de areia tonal muito específica em que você pode atuar, e eu sinto que, como homem em particular, você ocupa uma função muito específica dentro dela – quase como um pai em uma série cômica Você ocupa um tom muito específico em um direcionamento cômico muito específico. Porque, na verdade, a história é contada pelo ponto de vista de Bea — pelo ponto de vista de Sydney Sweeney — meu objetivo é realmente fazer com que o idiota seja tirado de mim a força

 

Quais eram suas comédias românticas favoritas quando você era adolescente?

 

Uma das minhas comédias românticas favoritas era O Casamento do Meu Melhor Amigo. Em viagens de carro, minha família tocava muito a trilha sonora do filme. Se você e eu tocássemos a trilha sonora agora, eu apostaria que eu poderia recitar todas as palavras dela. Há muita alegria ao redor de comédias românticas, e eu acho que O Casamento do Meu Melhor Amigo é um ótimo exemplo, um que meio que fica com você — dura. Isso meio que diz algo sobre o amor. Nós meio que assistimos O Casamento do Meu Melhor Amigo bem antes de começar [a filmar], e Dermot Mulroney não havia assistindo o filme desde a estréia dele. Ele disse, na época, que foi muito difícil para ele admitir ser um protagonista de comédia romântica e ser um cara de comédia romântica. E ele disse, “Cara, apenas abrace isso.” Ele fica como, “Não há privilégio maior do que representar amor em filmes.” E eu estou muito grato que ele disse isso. Eu já estava muito animado sobre o filme, mas isso me coloca em um estado real de gratidão antes de começar esse processo.

 

Eu amava Como Perder um Homem em 10 dias, 10 Coisas Que Eu Odeio em Você, a lista vai. Obviamente Um Amor Inevitável. Eu não sei se você considera Legalmente Loira uma comédia romântica, mas um dos momentos em que minha família esteve mais impressionados foi quando eles conheceram Karen McCullah, que foi uma das roteiristas [do filme]. Karen visitou o rancho e ela é amada por toda a família.

 

Você disse alguma vez para Dermot que você sabia a trilha sonora de O Casamento do Meu Melhor Amigo de cor?

 

Na verdade, eu nunca contei isso para Dermot. Quando você começa a trabalhar com pessoas, as vezes você tenta não agir como fã os mais humanamente possível. Você não quer fizer como, “Eu sou obcecada com você. Eu ouvi aquela [ trilha sonora].” Mas Dermot é um nerd por direito próprio. Ele é um dos homens mais gentis, doces e abertos que eu já conheci, e há uma razão pela qual ele é tão amável.

 

Por que você acha que, inicialmente, você encantou a internet como um galã depois de estrelas filmes como Set It Up e Everybody Wants Some!!!?

 

Eu agradeço você dizer isso porque eu não tenho noção nenhuma dessas coisas, e eu tento ficar longe disso, porque a Internet está cheia de críticas mistas em todos os aspectos. Você será muito querido em um dia e muito rejeitado no dia seguinte. Estou apenas tentando fazer filmes que eu gostaria de ver, e acho que Everybody Wants Some!!! vai ser meu filme que eu mais gostei de fazer minha vida inteira. Não haverá uma experiência mais charmosa e bela. Quando o filme acabou, eu solucei enquanto estava raspando meu bigode fino. Quando se trata de fazer comédias românticas, não há melhor maneira de aparecer no set do que ser bobo e tentar fazer as pessoas rirem — e eu venho de uma família muito “boba”. Todos que me conhecem sabem que minha família é um bando de bobos. Então eu me sinto muito confortável neste espaço, zombando um pouco de mim mesmo.

 

Para seu papel em Anyone But You, você teve que aprender a música tema de The Hills — “Unwritten” de Natasha Bedingfield — para uma cena com ela . Você já assistiu a série alguma vez?

 

Na verdade, eu não sabia que era a música tema de The Hills. Obviamente eu ouvi essa música milhares de vezes. Eu não sei se você pode passar pela vida sem ouví-la [ a música] alguma vez em algum ponto. Agora ela é a minha música mais ouvida de 2023. Aposto que a maioria das pessoas pensa que sabe a letra de “Unwritten”, mas elas não sabem nada. Quando eu me mudei para Los Angeles, eu morava no complexo de apartamentos onde eles filmaram The Hills. Isso foi o mais perto que eu cheguei de The Hills. Eu acho que nunca assisti um episódio, mas tenho certeza de que se sustenta.

 

Já que você já esteve em algumas, qual é a chave para ter uma ótima química em uma comédia romântica?

Eu pensei sobre isso recentemente, porque com Syd e eu, a palavra “química” tem sido muito usada. A verdadeira chave é que seja alguém que apareça para trabalhar pronto para jogar. Se você tem alguém que está disposto a jogar, e está disposto a parecer tão bobo quanto você e está realmente ouvindo e respondendo, é aí que você tem uma química verdadeira. Quando você está dançando, está presente e você não está pensando sobre os movimentos de dança ou sua aparência. Acho que uma coisa que torna Syd realmente poderosa como atriz é sua falta de autoconsciência. Ela é extremamente consciente como mulher de negócios, mas muito inconsciente na tela, o que é, eu acho, a essência do que a torna realmente agradável em tudo o que faz. Ela está totalmente ok em parecer boba.

 

Você está prestes a ter um 2024 ocupado. Você co-escreveu e co-produziu o filme Hit Man com Richard Linklater, sendo é seu quarto filme juntos.

 

Hit Man foi algo que Rick e eu inventamos durante a pandemia. Eu costumava escrever filmes enquanto crescia, e a aula de redação criativa era minha aula favorita. Todo mundo faria poesia e prosa, e eu escreveria páginas de roteiros para a turma ler em voz alta. E quando me mudei para Los Angeles, vendi alguns roteiros que me levaram por um tempo. Não eram roteiros excelentes, mas ideias decentes o bastante para não fazerem com que eu fosse despejado. O fato de meu primeiro crédito de produtor e roteirista ser com Richard Linklater é o mais legal possível. Este é o cérebro de Rick e meu cérebro. Eu não acho que seja o tipo normal de filme que Rick necessariamente faz, e não é o tipo de filme que eu necessariamente faria sozinho. Mas nós dois juntos fazemos um coquetel realmente interessante. Não acho que [o filme] siga nenhuma regra. É sexy, sedutor e divertido, mas também tem elementos de suspense e ação. É sombrio, distorcido, demente. É apenas um coquetel molotov com todas as coisas boas sobre Rick. A qualquer momento, você pode pensar: Oh, são os irmãos Coen ou é Soderbergh. Tem todas essas coisas realmente interessantes, e acho que é isso que faz de Rick um cineasta tão impressionante.

 

Me diga como você teve a ideia para Hit Man.

Eu li este artigo no início da pandemia chamado “Hit Man” na Texas Monthly, e era sobre um cara chamado Gary Johnson, que basicamente trabalhava para o Departamento de Polícia de Nova Orleans como um assassino falso em operações policiais para casos de assassinato de aluguel. Então, se você está tentando matar seu marido, porque na verdade não existem assassinos profissionais no varejo, você vai se sentar com alguém que você acha que é um assassino, e na verdade é um cara disfarçado que trabalha para o departamento de polícia que vai te prender assim que você entregar o dinheiro. O que tornou Gary Johnson realmente interessante é que ele era um professor de psicologia que ficou realmente fascinado com o motivo pelo qual as pessoas matam outras pessoas. Ele personificava o que pensava ser a fantasia deles de um assassino. Então, quando eu estava lendo este artigo, pensei, Uau, esse cara está passando por uma crise de identidade enquanto arma para todas essas pessoas nesses casos de assassinato de aluguel. E havia uma linha específica no artigo sobre uma mulher que estava tentando matar o marido, e acabou que, na verdade, ela estava em perigo. Ela estava tentando pegá-lo antes que ele a pegasse. Então, Gary Johnson acabou se encontrando com essa mulher, convencendo-a a não fazer isso, mas depois segue um relacionamento com ela. Ela não sabia que ele trabalhava para o departamento de polícia. Nós nos aprofundamos um pouco mais e conversamos sobre como era esse relacionamento, e então pegamos os fatos e meio que fizemos nossa própria pequena ficção sobre onde essa história poderia chegar.

 

Por que você, em particular, ficou tão atraído por essa história?

 

Às vezes, você simplesmente começa a escrever e não sabe por que algo toca você. Você não sabe por que fica tão animado para acordar todos os dias e escrever sobre isso. E acho que com Rick e eu, foi realmente uma exploração de paixão e identidade. E acho que foi isso que muita gente sentiu durante a pandemia. Havia uma sensação real de que as pessoas se sentiam presas às suas identidades, e a pandemia lhes deu este botão de pausa realmente interessante. Do outro lado, muitas pessoas pensavam: eu posso ser qualquer coisa e posso ser qualquer um. Essa foi uma ideia empolgante, pegar o que sentíamos ser uma emoção universal na época e realmente tentar explorar isso. Na minha vida, ser ator já é uma crise de identidade por si só. Você tem que ser tudo para todos. Você tem que ocupar todas essas identidades diferentes para ter sucesso [atuando]. Então foi uma coisa interessante para mim explorar naquela época – não apenas o que eu estava passando na minha vida, mas também o que o mundo estava sentindo.

 

Um perfil recentemente revelou que você começou como um leitor de roteiro par Lynda Obst, que está por traz de algumas das comédias românticas mais amadas de Hollywood, incluindo Nora Ephron. Como isso te ajudo a achar seu nicho em Hollywood?

 

Linda foi uma produtora pioneira em geral — energética e esperta. Ter trabalhado para ele foi uma educação de Hollywood séria. Mas uma coisa que realmente define Lynda é sua habilidade de fazer comédias românticas convincentes e incríveis. Como um leito de roteiro para ela, eu tinha o benefício real de ler diversas comédias românticas por dia para envio. Eu apenas ficava sentado no estúdio da Sony lendo comédias românticas dia após dia. Eu comecei a ter a chance de ver como as pessoas tocavam nesse gênero, porque há diversas tropes que você tem que honrar. A razão pela qual as comédias românticas duram, é que elas são comidas conforto. Você não quer que uma comédia romântica reinvente completamente o gênero, porque ai ela para de ser confortante. Você tem que honrar as tropes a um grau. Então, ler estes roteiros e ver como as pessoas jogavam naquela caixa de areia, foi realmente satisfatório. Eu realmente tive a chance de entender como ela via o gênero e tive uma educação de primeira em como produzir.

 

Com quem você sonha em colaborar?

 

Eu realmente gostei do processo de unir forças com um cineasta e ter esse processo com Rick. Eu amaria fazer isso de novo. Eu amaria poder escrever algo com Edgar Wright, Bradley Cooper e Ben Stiller.

 

Você também vai estrelar em uma nova versão do clássico de 1996, Twister, no ano que vem. Não é uma sequência exatamente, certo?

 

Nós acabamos de filmar algumas noites atrás. Definitivamente não é um reboot. Nós não estamos tentando recriar a história do primeiro filme. É completamente uma história original. Não há personagens do filme original de volta, então não é realmente uma continuação. É apenas sua versão independente no mundo moderno. Não acho que alguém tenha mencionado esse filme há muito tempo, mas conversando com as pessoas, elas dizem: “Esse foi um dos meus filmes favoritos enquanto crescia. Esse filme me apavorou.” Quando eu estava trabalhando em Top Gun, [Tom] Cruise trouxe a tona uma coisa muito interessante, ele estava como, “Se você quer fazer algum filme de certo tamanho, escopo e escala, você tem que descobrir o que pode conectar as pessoas de todo o mundo em todos os territórios.” E humanos contra o tempo é uma ideia universal — o quão impotentes nós realmente somos contra essas forças cataclísmicas.

 

Obviamente, você estava incrível em Scream Queens. Você já considerou colaborar com Ryan Murphy de novo?

 

Ryan Murphy e eu, nós, na verdade, estamos fazendo um musical juntos. Nós não temos nenhum planos de estar juntos no mundo da televisão , mas nós estaremos na Broadway juntos.

 

Não é para uma versão musical de Scream Queens, certo?

 

O musical de Chad Radwell. Esta é a ideia mais engraçada. Apenas os Dickie Dollars Scholars. A quantidade de pessoas que se aproximam de mim por causa de Scream Queens é chocante, talvez mais do que qualquer coisa que eu já fiz. Talvez isso envelheça como um vinho de qualidade.

Pessoalmente e profissionalmente, aonde você se vê nos próximos 10 anos?

 

Tenho sonhado em fazer esse trabalho minha vida toda. Qualquer pessoa que me conhece sabe que eu carregava uma câmera de vídeo no pescoço e criava filmes com as pessoas, escrevia coisas e fazia com que elas executassem. Eu amaria ainda estar fazendo isso. Não há uma linha de chegada quando se trata sobre esse trabalho. Eu não acho que há algum objetivo fora de continuar a colaborar com alguns dos meus heróis e continuar a fazer esse trabalho no nível máximo e me esforçar o máximo possível. Esta é a primeira vez na minha vida onde eu ando por Los Angeles e eu estou um pouco mais no radar. Eu estou sendo um pouco mais observado do que nunca. E como pessoa, eu não sou esse tipo de cara. Eu venho sendo comparado a um golden retriever.

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