COLLIDER (11.01.2023) – Glen Powell está com tudo em sua carreira, acumulando projetos de alto calibre como ator, pegando mais projetos como produtor, e adicionando “roteirista” ao seu currículo. Ele recebeu uma atenção merecida em 2022, pelo seu trabalho no blockbuster de sucesso “Top Gun: Maverick”, estrelado por Tom Cruise, e pela épica e inspiracional história “Devotion”, o qual ele foi atrás dos direitos do livro para ser o produtor executivo e trabalhou ao lado de sua co-estrela Jonathan Majors para trazer a amizade dos pilotos navais Jesse Brown e Tom HUdner para a tela da forma mais precisa e autêntica possível. É a culminação de uma carreira de 20 anos que parece estar apenas começando a mostrar tudo o que ele é capaz. 

A Collider conseguiu a oportunidade de conversar com Powell sobre o último ano de sua vida e sua carreira, como sua experiência em “Top Gun: Maverick” ajudou a informar coisas em “Devotion”, os desafios de atuar no cockpit, sua união com Major, e porque ele está tão orgulhoso de como o filme saiu. Ele também falou da experiência de ajudar a escrever “Hitman”, o qual ele também estrela, com o diretor Richard Linklater e seu relacionamento colaborativo, seu desejo de fazer um musical, e querer acreditar nos projetos que ele está vendendo. 

Collider: Parabéns por todo o sucesso que você teve em 2022. Ninguém sabia como “Top Gun: Maverick” se sairia porque é difícil de prever se alguém vai sequer ir assistir uma sequência que é lançada tantos anos depois do primeiro filme, mas todo mundo amou e as pessoas assistiram, de novo e de novo. E então, com “Devotion”, o filme tem ganhado muitos elogios e atenção, mas é tão difícil algo quebrar a barreira do sucesso esses dias, então você nunca sabe. Quando você trabalha em uma indústria onde pode demorar muito tempo para atingir qualquer tipo de sucesso, e onde algumas pessoas nem atingem isso, como você se sente com isso? Como é ter projetos que você pode se conectar, que o público se conecta e que também fazem sucesso? 

GLEN POWELL: A propósito, isso é algo muito legal de se dizer, então obrigado por isso. Eu estou nessa indústria há muito tempo. Tenho feito isso por 20 anos. Apenas estar no jogo, apenas poder fazer filmes, é um privilégio. É o que eu sempre quis fazer, minha vida toda. Você está certo, fazer parte de filmes e fazer filmes é algo muito difícil.  Poder pegar algo que você é apaixonado, algo que você tem muito perto do coração, e poder trazer isso para a tela e isso ter efeito no público em grandes níveis, é um sonho se tornando realidade. É realmente difícil de descrever. E olhando para esse último ano, o que eu passei algum tempo fazendo durante as férias, 2022 foi um turbilhão. É difícil descrever. Você apenas tenta manter sua cabeça acima da água, se manter presente, e não atrapalhar o trabalho duro de ninguém. Têm muitas pessoas com muitos empregos que dependem de você não ser um idiota. Eu me sinto tão sortudo de poder refletir sobre esse capítulo. Me sinto tão grato que pude fazer dois filmes para o público esse ano que são realmente indicativos de coisas que eu amo e me importo, e pude fazer eles com pessoas que respeito desde sempre. Estou muito orgulhoso dos dois. É isso que sempre quis fazer e usar como minha luz guia. Eu acredito que filmes são seu epitáfio. No final do dia, quando eu me for, espero que as pessoas ainda assistam meus filmes e digam, “Uau, é com isso que ele se importava. Era isso que ele amava. E isso ainda nos entretém.” Eu olho para “Top Gun” e olho para “Devotion” como os dois filmes que encarnam o que eu amo e com o que me importo. 

Você nunca sabe quando está fazendo um filme exatamente quando ele vai sair, especialmente quando você adiciona COVID e agendas a mistura. É engraçado que você tenha dois filmes envolvendo aviões saindo no mesmo ano, mas isso também mostra o que filmes podem fazer. Um foi esse filme blockbuster de ação gigantesco, e o outro também teve esses elementos, mas também foi algo que podia nos ensinar sobre a nossa história. Isso é algo que você quer continuar a encontrar um equilíbrio, quando se trata de fazer grandes filmes de pipoca, mas também fazendo filmes com estudos de personagem mais profundos?

Uma das coisas que realmente aprendi com Tom [Cruise] em “Top Gun” foi que você não necessariamente precisa escolher. Uma das coisas que mais me orgulho em “Top Gun” é que ele não se fecha na caixa de filme de ação. É um filme onde a história na terra afeta a história no ar, e é romântico, aventureiro, e toca o coração. É sobre um homem que está tentando descobrir algumas coisas. O primeiro filme foi o começo. Esse filme é sobre um homem que agora está enfrentando sua idade e enfrentando ser responsável por pessoas, e não apenas por ele mesmo. Você não pode ser um maverick quando tem a vida de outras pessoas na linha. É uma história que toca o coração, e é uma história que acho que mexeu com o público. Colocar essa relação de pai e filho e ser um pai no mundo de “Top Gun” não foi apenas genial, mas foi muito tocante e mexeu com o público. E com “Devotion”, eu pude pegar a educação e tudo que aprendi em “Top Gun”, e mesmo que eu estivesse desenvolvendo o filme por seis anos, a educação que ganhei em “Top Gun” me informou muito fazendo “Devotion”. Eu pude fazer todas essas sequências aéreas épicas. Eu pude dar ao público algo que foi épico e, ao mesmo tempo, muito íntimo, em termos de relacionamento. Uma das coisas que eu adoraria continuar fazendo é dar ao público um espetáculo, e dar ao público algo cinematográfico, mas também algo que mexe com eles, porque um não devia existir sem o outro. 

Agora que você teve alguma experiência, como ator, como é fazer as cenas quando você está no cockpit, você está usando um capacete e metade do seu rosto está coberto por metade do tempo? Como isso muda o que você normalmente faz? Como você descobre sua performance com tudo isso no meio? 

Eu pude aprender muito sobre a arte da atuação no cockpit durante “Top Gun”, e eu pude ensinar um pouco a Jonathan Majors. Você não pode realmente ensinar muito a Jonathan Majors sobre atuação. O cara é muito bom. Mas pelo menos eu tive essa pequena vantagem sobre ele, em termos de atuar no cockpit. De verdade, isso tudo é sobre a relação naquele avião. Precisamos estar na mesma página, em termos de qual emoção eu estou mostrando e ele está mostrando, para termos certeza de que estamos reagindo um ao outro, mesmo não estando no mesmo avião. Estamos voando em dois voos diferentes. É complicado. Manter seu almoço no estômago enquanto você está atuando também é algo difícil de descrever. 

Atuar é uma coisa, mas não consigo imaginar como é adicionar tudo isso em cima. 

É. Eu aprendi muito em “Top Gun”, mas quando alguma coisa tem que passar voando pelo cockpit e você tem que cronometrar sua fala com essa coisa passando, é algo que leva prática e experiência. Você não pode ficar queimando combustível o dia inteiro, então precisa lidar com isso. É um verdadeiro trabalho em equipe, e realmente tivemos os melhores dos melhores voando conosco. Então, com toda aquela educação de “Top Gun”, eu pude carregar algumas pessoas de “Top Gun” para “Devotion”, o que fez isso um pouco mais efetivo em custo e mais fácil. 

Quando você leu o livro de “Devotion” pela primeira vez e conversou com o autor, você estava confiante de que faria isso acontecer? Qual foi o momento que isso realmente se tornou real? 

Quando algo me atinge emocionalmente, eu tenho a confiança de que não vou desistir. Eu me transformo num pit bull, mordo e não solto. Ao mesmo tempo, como nós dois sabemos, Hollywood é um lugar complicado. É muito difícil fazer as coisas acontecerem. Eu disse a ele que, se tivesse a oportunidade, eu faria tudo que estivesse ao meu alcance para fazer isso, e não desistiria. Eu me seguraria até conseguir levar isso às telas, e faria isso no nível mais alto. Olhando para trás nessa jornada, é bem louco de pensar que mandei uma DM para um autor e disse “eu amo seu livro e quero transformá-lo em um filme.” Eu conheci Tom Hudner, quem interpretei no filme, sentei com sua família e fiz uma promessa, “Se você me der essa oportunidade, eu adoraria transformar sua vida em um filme.” E fiz o mesmo com a família Brown. É louco pensar nessa jornada agora. Eu era apenas um garoto que amou uma história e pensou que essa amizade incorpora todas as coisas boas da humanidade. Mas, eu sabia que faria o filme, nesse nível? Eu tinha confiança que terminaria, mas em retrospectiva, as probabilidades sempre estão contra você. Esse filme poderia ter perdido seu caminho, várias vezes. Graças a Deus, estávamos cercados de grandes cineastas e grandes produtores para o manterem na linha. Não foi um filme fácil de ser feito, e estou muito orgulhoso de que chegamos ao final. 

Quando você faz uma promessa ao homem real e sua família que você vai contar a história do jeito certo, e você faz a mesma promessa a família Brown, como isso impacta o seu trabalho todos os dias? Você sempre estava pensando nessa responsabilidade? Você conseguia não pensar nisso todo segundo de todo dia?

Essa é uma ótima pergunta. A resposta é que todo mundo na minha família e todo mundo que me conhece bem nunca me viu mais estressado do que quando eu estava fazendo esse filme. As pessoas ficam tipo, “Você se divertiu fazendo “Devotion”? E eu sempre digo, “Absolutamente não.” Eu senti a pressão, todos os dias, para fazer esse filme da forma certa, para esses dois homens e suas famílias, e para fazer jus ao seu legado. Tem tantas coisas complexas que precisam dar certo. Nós construímos um porta aviões em tamanho real em uma pista de voo, em Statesboro, Georgia, o que é louco. Pegamos aviões do mundo todo. Fizemos todas essas coisas, para garantir que o público estivesse completamente imerso nesse filme. Além disso, eu acordei todo dia e tinha uma foto de Tom Hudner e Jesse Brown. Eu tinha uma nota de Tom bem ali. Eu tinha as anotações do livro, e meu roteiro estava cheio de todas essas anotações. Tudo o que eu fiz foi pensar nesses homens. Tudo o que eu fiz foi pensar em como fazer a história da forma correta. Eu não acho que em qualquer outro momento da minha vida senti tanta pressão. Então, chegar ao final disso e me sentir orgulhoso da experiência e da jornada, e me sentir orgulhoso que fizemos o filme que queríamos fazer, estou muito feliz, mas muito aliviado porque foi um filme difícil com certeza. 

Você não estava na situação de vida ou morte que esses dois homens estavam na vida real, mas como foi formar uma união com Jonathan Majors, saber que vocês se apoiavam ao longo das gravações? O que você achou mais significante, em dividir isso com ele? 

A amizade deles foi escrita nas estrelas. Eu sempre disse que esses caras não eram amigos, eram almas gêmeas. Esses homens se conheceram 70 anos atrás, e tiveram esse momento na Coreia, esse ato de serviço que continua a unir essas duas famílias para sempre. O legado deles – o legado de Jesse Brown e o legado de Tom Hudner – continua. Isso é tão especial. Torna esse filme tão único. É uma das coisas que realmente me conectei com Jonathan. Nós mandamos poemas um para o outro. Escutamos as mesmas músicas. Dividimos coisas um com o outro que realmente não sei se ele dividiu com outras pessoas, e que eu nunca dividi com outras pessoas. Isso realmente acelerou nossa amizade. A química que você vê na tela não é necessariamente química de vestiário. É antiga. É um tipo diferente de química. Conversando com Fred Smith, que é um dos produtores do filme e foi um fuzileiro no Vietnã e é o fundador da FedEx, ninguém nunca vai saber tanto sobre Fred quanto os caras com quem ele serviu. Tem algo lá que é parte de você, que você expõe para as pessoas quando está naquela circunstância. E com Jonathan, ele é um ator especial. Ele tira sua alma para fora e te mostra de uma forma que eu nunca vi outro ator fazer. Ser parte do processo dele foi realmente uma grande honra. 

Eu amo que você não parece estar desacelerando com sua carreira. Como foi fazer um projeto como “Hitman”, no qual você não está apenas atuando e produzindo, mas também foi um dos roteiristas junto com Richard Linklater?

Eu sei, isso é outra coisa. Como você sabe, é muito difícil fazer algo acontecer nessa cidade. Rick e eu escrevemos esse filme durante a pandemia. Tivemos a ideia e estávamos indo com ela. Foi divertido. E então, do nada, nos tocamos, “Oh, isso está muito bom.” E então, outras pessoas ficaram animadas com ela. Você não acredita de verdade que está acontecendo até que, de repente, você está no set. Eu estava tipo. “Oh, cara, isso está acontecendo. Estamos fazendo um filme juntos.” É o quarto filme que fazemos juntos. Eu sou um fã de Rick desde que tinha 15 anos. Um dos meus primeiros filmes foi um filme que ele fez, chamado “Fast Food Nation”. Essa é nossa quarta colaboração e não há nenhum modo melhor de ir ao set do que com Rick. Foi uma troca de marchas interessante, ir como produtor, roteirista e ator nesse filme. Eu não tinha muito tempo livre. Todo mundo me pergunta se gostei da comida em Nova Orleans. Eu nem saí do set. Eu ia do set para casa e de casa para o set. Esse era meu caminho. Rick e eu escrevíamos depois do trabalho. A gente se juntava e reescrevíamos cenas para gravarmos no dia seguinte. Ser um colaborador de um de seus heróis, é um privilégio de uma vida poder trabalhar com ele. Estou muito orgulhoso do filme. Eu acabei de o assistir. É tão divertido e tão bom. Rick e eu estamos muito animados com ele. Foi um final perfeito para 2022. 

Você sente que muda sua abordagem como ator ou o jeito que você performa, se envolver como produtor e agora também como roteirista? Se envolver mais assim com os projetos que você faz, teve um efeito notável de alguma forma em como você está atuando?

É uma ótima pergunta. Eu não acho que muda o trabalho de um ator. A melhor parte da largada lenta da minha carreira é que estou fazendo isso há 20 anos e levei muito tempo para chegar aqui, o que para a maioria das pessoas parece a linha de largada. Eu espero que seja o começo de algo realmente ótimo. Tive a chance de aprender com muitos dos grandes no caminho. Eu tenho um livro ao lado da cama, chamado “Icon Wisdom”, e toda vez que trabalho com um dos meus heróis, escrevo qual conselho de sabedoria eles me disseram. A melhor parte é que, como produtor, você pode implementar essa sabedoria de uma forma que não pode como ator. Se você é parte do processo desde cedo, e faz parte de dar forma às coisas e descobrir o batimento da história, o que faz ela cinematográfica, o que faz ela universal, isso apenas muda sua abordagem com o trabalho. Garante qualidade cinematográfica. Tem muito risco quando você não tem isso. Não sou um cara muito controlador. Não é como se eu sentisse a necessidade do controle, mas gosto de me cercar de pessoas talentosas. Você pode realmente relaxar, como ator, quando está cercado pelos melhores dos melhores. É isso que aconteceu em “Top Gun”. É isso que aconteceu em “Devotion”. Eu estava cercado de pessoas talentosas. Então, quando você escolhe seu time bem, quando aparece para atuar, você terá uma experiência muito melhor quando sente que está sendo cuidado. 

Esse sempre foi seu grande plano? Você sempre teve em mente que faria todas essas coisas e se envolver mais, ou foram apenas oportunidades que começaram a aparecer e você percebeu que talvez deveria aproveitá-las?

Eu sempre respeitei atores que constroem tudo desde o começo e realmente encontram coisas. Seja escrevendo, dirigindo ou produzindo, eu sempre olhei para atores que têm suas mãos em suas carreiras e não são apenas armas para alugar, mas foram inspirados por histórias e as fizeram acontecer. Tem algo sobre interpretar uma história e estar dentro desse mundo que acho muito legal. É isso que decidi fazer com a minha vida, e amo isso. Tem algo muito gratificante em encontrar uma ideia que você está lutando pessoalmente, e encontrar personagens e histórias que incorporam isso e guiar isso e encontrar as peças. Você fica tipo, “Uau, acabei de assistir esse filme realmente incrível. Esse cineasta seria ótimo. Imagino se ele se conectaria com essa história.” Poder olhar para esse ecossistema inteiro e juntar os pedaços, para mim, não é apenas controle de qualidade, mas também me ajuda a me sentir mais ativo na indústria. Você está participando em níveis que ajudam a garantir que você, como um ator, irá se conectar com o personagem que está interpretando. Seu coração está mais alinhado com o personagem, se está vindo de um lugar orgânico e você ajudou a dar forma, em vez de interpretar isso por duas semanas e depois ir embora. 

Eu amo que você tem filmes passando por todos os gêneros. Mesmo que “Top Gun: Maverick” e “Devotion” envolvam aviões, eles ainda parecem histórias completamente diferentes. Além disso, todas as outras coisas que vocề está trabalhando, ou está no processo, parecem bem diferentes. Tem algum gênero ou tipo de filme que você ainda não fez, mas que gostaria de produzir ou criar de alguma forma?

É uma ótima pergunta. 

Você tem um desejo secreto de fazer um musical? 

Eu adoraria fazer um musical. Meu ponto de entrada na atuação foi, na verdade, musicais, então adoraria fazer um, algum dia. Eu tenho esse documento no meu celular, no qual penso frequentemente, contém todos os meus filmes favoritos que já assisti. Eu sei que isso parece meio bobo, mas sempre amei “Apollo 13”, então quando fiz “Hidden Figures”, eu fiquei tipo, “Esse é meu momento Apollo 13”. Estranhamente, “Top Gun” estava lá, então “Top Gun: Maverick” foi meu momento Top Gun. Então, “Devotion” foi meu momento “Saving Private Ryan”. Essa lista tem filmes que sempre ressoaram comigo e sempre gostei, ou que achei que eram entradas inesperadas em gêneros esperados. Esse documento no meu telefone tem tipos diferentes de filmes que me inspiraram a começar a fazer filmes. Às vezes, isso pode ser uma luz guia para como eu escolho as coisas. Você pode controlar certas coisas nessa indústria, mas não pode controlar outras. Você está à mercê dos ventos às vezes, mas também pode lutar contra o vento e pode ser implacável e esperar a tempestade passar. É isso que aconteceu com “Devotion”. Demorou muito tempo para vê-lo na tela, mas tudo funcionou no tempo certo, e apenas aconteceu que eu tive dois filmes de aviação naval em 2022. Estou orgulhoso dos dois. 

De onde vem essa confiança? Você está nervoso e ansioso e com medo antes de entrar num set e fazer todos acreditarem que você está confiante? De onde vem a sua confiança, em termos de dizer a outra pessoa, “Eu tenho esse projeto a te vender, venha fazer isso comigo”? 

Acho que vem de um lugar de onde, se eu não acreditar, não tem nenhum jeito de eu conseguir vender isso. Para mim, eu amei filmes, a minha vida toda. Eu tinha uma câmera de filmagens no pescoço minha vida toda. Eu tenho que mostrar isso pro Tom, mas tenho clipes de mim recriando cenas de “Mission: Impossible 2”. Essa cena com as motos, na qual eles vão em direção um ao outro, eu recriei ela em bicicletas quando era criança. Eu sempre amei filmes e sempre fui obcecado com como eles são feitos. Meu primeiro trabalho da escola, quando eu estava na segunda ou terceira séries, foi sobre Spielberg e Ron Howard. Eu assisti aos bastidores da maioria de seus filmes, mais do que eu assisti aos próprios filmes. Eu sempre fui fascinado pelo processo. Acho que quanto mais fascinado você está por algo, mais você entende o seu gosto e ao que o público reage e porque estão reagindo. Para mim, quando eu ou tenho uma ideia ou encontro um roteiro ou propriedade ou algo que me deixa animado e posso ver o filme, é quase como se eu estivesse saindo de um filme que acabei de assistir e amei. Eu só quero falar sobre isso. Só quero te contar sobre isso. Isso vem de um lugar autêntico onde eu apenas quero fazer os filmes que quero assistir. 

Especialmente em algo como “Devotion”, parece que isso realmente veio à tona porque, seja com o diretor ou outros atores, você realmente tem que vender às pessoas para que elas assinem e queiram se envolver, e isso tudo começa com como você apresenta o projeto a elas.

Absolutamente. Isso é bem astuto. Eu acho que ninguém entende o quanto isso é uma batalha difícil. Tem várias formas que “Devotion” quase não foi feito. Muita gente não entendeu o que queríamos, e não entendeu porque isso ressoaria e porque era pungente. Eles diziam “Não gosto do final” e eu dizia, “Bem, o final é o final porque foi como aconteceu de verdade. É a vida real. Foi brutal.” A parte interessante dessas coisas é que você realmente tem que ser a prova de balas. Você tem que estar aberto a ideias e ser colaborativo sobre a interpretação de como vai contar a história, mas tem que bater o pé com coisas que sabe que são importantes. 

O relacionamento de Jesse e Tom, e o que estava no centro disso e o que queríamos dizer, foi sempre algo que usei como uma luz guia e eu nunca estive disposto a abrir mão disso, ao convencer os estúdios de apoiarem o projeto. Jonathan realmente entendeu o que estávamos querendo, de cara. Ele não precisou de tanto convencimento quanto eu achei que precisaria. Mas quando Jonathan e eu começamos essa jornada, ele não era Jonathan Majors. Agora, obviamente, os estúdios entendem que ele é uma estrela de cinema gigante e estará aqui para sempre, e ele é um dos grandes. Mas naquela época, havia um grande ponto de interrogação ao redor de nós dois. Então, tem sido uma longa jornada, com certeza. Ainda não posso acreditar que fizemos esse filme.